Tarifa de Trump sobre produtos do Brasil faz preços do café dispararem e abala mercado global

Os preços do café arábica dispararam nesta quinta-feira (11/7) após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil. A medida atinge em cheio o maior produtor de café do mundo e já provoca volatilidade nos mercados globais de commodities.

Na bolsa Intercontinental Exchange, os contratos futuros do café arábica subiram para US$ 288,67 por libra, com alta diária de 0,99%. O aumento sucede uma valorização de 2,6% registrada na terça-feira (9), reflexo das preocupações com o clima seco nas principais regiões produtoras brasileiras. Apesar da queda acumulada de 17% no último mês, devido ao avanço da colheita, os preços ainda estão quase 18% acima do patamar de um ano atrás.

A nova tarifa anunciada por Trump deve entrar em vigor no dia 1º de agosto. A declaração foi feita por meio de carta publicada na plataforma Truth Social, na qual o presidente norte-americano acusa o governo brasileiro de “atacar a liberdade de expressão” ao julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro, e ainda critica a “relação comercial injusta” entre os dois países — mesmo com os EUA registrando superávit de US$ 7,4 bilhões no comércio com o Brasil em 2024.

O impacto da medida foi imediato: os futuros do café arábica em Nova York subiram mais de 3,5% na manhã de quinta-feira, e operadores do setor relataram ondas de choque na indústria. “Os EUA são o principal comprador de café brasileiro, então essa tarifa afeta diretamente o sentimento do mercado”, disse um trader ao Financial Times.

O presidente da Lavazza Group, Giuseppe Lavazza, destacou que o maior prejuízo será para os consumidores americanos, que terão que pagar mais pelo café. “Tarifas sobre países produtores como Brasil e Vietnã tornam tudo mais desafiador para a indústria”, afirmou.

Além da questão política envolvendo Bolsonaro, analistas apontam que a imposição das tarifas pode gerar consequências de longo prazo, com redução da demanda dos EUA pelo café brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil responderá com medidas de reciprocidade, conforme previsto em lei aprovada recentemente.

Atualmente, a colheita de café no Brasil está 40% concluída — abaixo dos 52% do mesmo período de 2024 —, e o clima favorável ajudava a manter os preços controlados. Agora, o cenário muda, com a pressão cambial (o real desvalorizou mais de 2% após o anúncio) e a ameaça de interrupções no fluxo comercial acirrando ainda mais a volatilidade do setor.

Embora o mercado tenha reagido com otimismo imediato, analistas alertam que as tarifas podem provocar correções futuras nos preços, caso restrinjam a demanda americana por café brasileiro.