Astronautas da NASA retornam à Terra após nove meses presos no espaço
Após nove meses de estadia forçada na Estação Espacial Internacional (ISS), os astronautas da NASA Butch Wilmore (62) e Suni Williams (59) finalmente iniciaram seu retorno à Terra nesta terça-feira (18). A dupla viaja a bordo da cápsula Crew Dragon Freedom, da SpaceX, e deve pousar na Flórida às 17h57 (horário de Brasília), segundo informações da agência espacial americana.
Wilmore e Williams foram enviados à ISS em junho de 2024 a bordo da cápsula Boeing Starliner, em uma missão que, originalmente, deveria durar apenas 10 dias. No entanto, falhas mecânicas e vazamentos de hélio na nave da Boeing impediram o retorno seguro da tripulação, forçando a NASA a devolver a nave à Terra sem passageiros e deixando os astronautas presos na estação por quase um ano.
Agora, os dois astronautas estão retornando acompanhados de Nick Hague (NASA) e Aleksandr Gorbunov (Roscosmos), que também encerram sua missão na ISS como parte da expedição Crew-9. O grupo só pôde deixar a estação após a chegada da nova tripulação da SpaceX, a Crew-10, que assumiu as operações no laboratório orbital.
A permanência prolongada de Wilmore e Williams se deve à falha técnica da cápsula Starliner, que deveria ser um dos pilares do programa de voos espaciais comerciais da NASA, mas acabou gerando uma crise na Boeing. A empresa perdeu credibilidade e abriu espaço para a SpaceX se consolidar como principal parceira da agência espacial americana para transporte de astronautas.
O retorno dos astronautas também foi envolto em polêmica, com o empresário Elon Musk afirmando que a Casa Branca, sob o governo de Joe Biden, retardou a missão por questões políticas. A administração Biden negou qualquer influência política no processo e reiterou que a decisão de postergar o retorno foi baseada exclusivamente em questões técnicas e de segurança.
Com os 285 dias passados no espaço, Wilmore e Williams se tornam os sextos astronautas da NASA com mais tempo contínuo em órbita. Eles ficam atrás apenas de Peggy Whitson (289 dias) e Frank Rubio, que detém o recorde da NASA com 371 dias, após também enfrentar problemas técnicos em sua cápsula Soyuz em 2022.
Assim que pousarem, os astronautas serão submetidos a exames médicos para avaliar os impactos fisiológicos da longa permanência no espaço. A NASA também deve revisar todo o histórico da missão, buscando entender melhor as falhas da Starliner e os desafios que levaram ao atraso recorde no retorno dos tripulantes.
O caso levanta novas preocupações sobre a confiabilidade dos voos espaciais comerciais, especialmente em um momento em que a NASA busca expandir suas operações para a Lua e Marte com o programa Artemis.