Açaí brasileiro será taxado em 50% nos EUA e pode virar item de luxo no país

A partir desta sexta-feira (1º), os produtos à base de açaí brasileiro vendidos nos Estados Unidos sofrerão um aumento significativo de preço. A medida é consequência da nova tarifa de 50% imposta pelo governo do presidente Donald Trump sobre as importações brasileiras, incluindo o fruto amazônico que se tornou popular em todo o mundo.

A decisão faz parte de um pacote mais amplo de sanções econômicas aplicadas aos países que, segundo a Casa Branca, “não mantêm relações comerciais satisfatórias” com os EUA. O Brasil, por ora, não fechou nenhum acordo bilateral com Washington, o que o coloca entre os países que mais sofrerão os impactos da política tarifária.

Preço pode afastar consumidores americanos

Atualmente, os Estados Unidos são o maior comprador internacional de açaí, seguido por Europa e Japão. O produto, vendido em tigelas e smoothies em grandes centros urbanos como Nova York e Los Angeles, custa em média US$ 13 a US$ 18 por porção. Com a nova tarifa, os preços podem subir de forma expressiva.

“As pessoas já acham caro. Se ficar mais caro ainda, vai acabar virando um artigo de luxo”, disse Ashley Ibarra, gerente de uma unidade da rede Playa Bowls, em Manhattan.

Exportadores preocupados

A maior parte do açaí exportado vem dos estados do Pará e do Amazonas, onde o produto é parte fundamental da economia local. Segundo dados do IBGE, a produção saltou de 150 mil toneladas, há 10 anos, para quase 2 milhões de toneladas em 2024.

Para Nazareno Alves da Silva, presidente da Associação de Produtores de Açaí da Amazônia, o impacto das tarifas é severo:

“Não sabemos como continuar exportando nessas condições. Os números não batem. Os custos ficarão altos demais para os importadores, e nós não temos margem para reduzir preços.”

Outros produtos brasileiros também serão afetados

O açaí não é o único item na mira da nova política tarifária americana. O Brasil também fornece cerca de um terço do café consumido nos EUA, além de grandes volumes de carne bovina e suco de laranja. Todos esses setores correm risco de retração nas exportações e perda de mercado.

Com o impasse comercial e diplomático, empresas brasileiras do setor avaliam redirecionar suas exportações para novos mercados na Ásia e no Oriente Médio, enquanto consumidores americanos podem começar a sentir os efeitos das tarifas nas prateleiras — e nos cardápios.