Tensão aérea: EUA ameaçam restringir voos de companhias mexicanas por disputa comercial

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta semana, que pode impor restrições aos voos de companhias aéreas mexicanas em resposta a medidas adotadas pelo México que afetaram empresas americanas. A escalada de tensão ocorre após a decisão do governo mexicano de restringir operações de carga no Aeroporto Internacional da Cidade do México, o que impactou diretamente companhias norte-americanas.

O Departamento de Transportes dos EUA (DoT, na sigla em inglês) afirmou, em nota oficial, que as medidas mexicanas prejudicaram a concorrência justa entre os dois países. O órgão alertou que, caso não haja uma solução negociada, Washington poderá impor sanções similares contra empresas mexicanas que operam em solo americano. A medida é considerada uma retaliação à postura do México em sua política de reestruturação do setor aeroportuário.

Segundo o governo norte-americano, as decisões mexicanas violam os termos do Acordo de Transporte Aéreo entre os dois países, assinado para garantir a reciprocidade nas operações comerciais e o equilíbrio no mercado. O comunicado reforça que companhias americanas perderam rotas e capacidade de operação devido às novas regras implementadas no principal aeroporto mexicano.

Autoridades mexicanas, por sua vez, defendem que a reestruturação visa melhorar a segurança e a eficiência logística do terminal da Cidade do México, que enfrenta problemas de saturação. O governo do presidente Andrés Manuel López Obrador também reforçou seu compromisso com a soberania nacional e alegou que o processo de relocalização dos voos de carga para outros aeroportos foi transparente e planejado.

A crise aumenta as tensões diplomáticas entre os dois países, já fragilizadas por disputas anteriores no setor energético, agrícola e, mais recentemente, com os reflexos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a outros países da América Latina.

Analistas apontam que, caso a retaliação norte-americana avance, o impacto pode ser significativo para o setor aéreo do México, que depende fortemente do mercado americano tanto para o turismo quanto para o transporte de cargas. Além disso, passageiros de ambos os países podem enfrentar aumento nos preços das passagens e redução da oferta de voos diretos.

As negociações seguem em andamento, e representantes dos dois governos devem se reunir nos próximos dias para tentar evitar a adoção de medidas unilaterais que comprometam ainda mais as relações bilaterais.