Israel anuncia envio de 120 caminhões com ajuda humanitária a Gaza, mas Hamas contesta e fala em saques

O governo de Israel anunciou nesta segunda-feira (29) que 120 caminhões com ajuda humanitária conseguiram entrar na Faixa de Gaza no domingo (28), em operação realizada em parceria com organizações internacionais. A informação foi divulgada pelo COGAT, órgão do Ministério da Defesa israelense responsável pela coordenação civil nos territórios palestinos.

Apesar do anúncio oficial, o Hamas, grupo que controla Gaza, contesta o número e afirma que apenas 73 caminhões passaram efetivamente pela fronteira. Segundo o grupo palestino, parte da ajuda foi interceptada e saqueada ainda durante o trajeto, sob vigilância de drones israelenses.

Ajuda insuficiente diante da crise

A entrada dos caminhões ocorre em meio a uma grave crise humanitária. De acordo com a ONU, seriam necessários cerca de 120 caminhões por dia para atender às necessidades mínimas da população de Gaza. Nas últimas semanas, porém, o volume liberado tem sido muito inferior, agravando a escassez de alimentos, medicamentos e água potável.

Estima-se que cerca de 470 mil pessoas estejam em situação de fome extrema no território, segundo dados de agências internacionais. O número de mortos desde o início do conflito, em outubro de 2023, já ultrapassa 59 mil, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.

Pausas diárias e lançamentos aéreos

Como forma de facilitar o envio de suprimentos, Israel vem adotando pausas humanitárias diárias, entre 10h e 20h, em áreas específicas da Faixa de Gaza, como Al-Mawasi, Deir al-Balah e partes da cidade de Gaza. Além disso, o governo israelense iniciou recentemente lançamentos aéreos de alimentos, medida vista como emergencial, mas insuficiente por especialistas.

Apesar dos esforços, a entrega direta da ajuda ainda enfrenta obstáculos, incluindo saques e dificuldades logísticas. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) alerta que menos de 10% dos carregamentos têm conseguido chegar aos destinatários finais.

A situação segue crítica e a comunidade internacional continua pressionando por maior acesso humanitário e por um cessar-fogo duradouro que permita o socorro adequado à população civil.