Governo Trump avalia prorrogar trégua tarifária com China, enquanto Coreia do Sul corre para escapar de sanções comerciais
Washington (EUA) – A menos de uma semana da entrada em vigor de uma nova rodada de tarifas comerciais dos Estados Unidos, o governo do presidente Donald Trump sinaliza a possibilidade de prorrogar a trégua tarifária com a China, ao mesmo tempo em que intensifica conversas com a Coreia do Sul, um dos países mais afetados pelas medidas anunciadas.
Durante entrevista ao canal Fox News, o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, afirmou que a decisão final caberá ao próprio Trump, mas que há chances reais de estender por mais 90 dias o acordo firmado com Pequim em maio, que reduziu temporariamente as tarifas de importação.
“A decisão ainda será do presidente, mas é provável que haja uma extensão”, afirmou Lutnick, que destacou o “excelente relacionamento” entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping.
Trégua sino-americana prestes a expirar
O atual acordo entre os EUA e a China estabeleceu a redução temporária de tarifas bilaterais — os americanos passaram de 145% para 30% nas importações chinesas, e a China de 125% para 10% nos produtos dos EUA. Esse alívio, porém, vence no dia 12 de agosto, e uma nova rodada de tarifas poderá agravar novamente a guerra comercial entre as duas potências.
Coreia do Sul pressiona por acordo emergencial
Enquanto isso, a Coreia do Sul mobilizou uma comitiva de alto nível para tentar evitar a taxação de 25% sobre seus produtos exportados aos Estados Unidos, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto como parte do pacote de tarifas unilaterais batizado por Trump de “Dia da Libertação”.
“Eles vieram até a Escócia no fim de semana, depois do jantar, para conversar conosco. Estão realmente empenhados em fechar um acordo”, relatou Lutnick, citando conversas com representantes sul-coreanos e com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
A Coreia do Sul é um dos principais fornecedores de tecnologia, automóveis e cosméticos para o mercado norte-americano, e teme impactos severos na cadeia de exportações com as novas taxas.
Estratégia de pressão comercial
Desde o início de seu segundo mandato, Trump vem utilizando as tarifas como instrumento de negociação direta com países que, segundo ele, impõem barreiras comerciais injustas aos produtos norte-americanos. Já firmou acordos com Reino Unido, Japão, Vietnã, Indonésia, Filipinas e a União Europeia, reduzindo as alíquotas originalmente propostas de 30% para patamares entre 10% e 15%.
Apesar das pressões, Trump tem afirmado que não pretende adiar a entrada em vigor das tarifas contra os países que não chegaram a um consenso com os EUA até a data-limite.
“O presidente está no comando e avalia caso a caso. Mas o prazo de 1º de agosto está mantido”, reforçou Lutnick.