EUA divulgam 230 mil documentos sobre assassinato de Martin Luther King Jr. após quase seis décadas
Em uma iniciativa inédita de transparência histórica, o governo dos Estados Unidos divulgou nesta segunda-feira (22) mais de 230 mil documentos relacionados ao assassinato do líder dos direitos civis Martin Luther King Jr., ocorrido em abril de 1968. A liberação foi anunciada pela diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, como parte de um esforço para esclarecer completamente os detalhes do crime.
“Hoje, após quase 60 anos de perguntas, estamos tornando públicos 230 mil arquivos sobre o assassinato do Dr. King”, escreveu Gabbard nas redes sociais. A ação é resultado de uma parceria entre a Diretoria de Inteligência Nacional, o Departamento de Justiça, o FBI, a CIA e os Arquivos Nacionais dos EUA.
O acervo inclui investigações conduzidas após o assassinato, registros de inteligência, relatórios do FBI, transcrições de depoimentos e informações sobre James Earl Ray — homem condenado pelo assassinato de King e que morreu na prisão em 1998, cumprindo pena de 99 anos.
Entre os documentos, estão dados sobre supostas conversas entre Ray e um ex-colega de cela sobre um possível plano de assassinato, além de relatórios da busca internacional que culminou na prisão de Ray em Londres. A divulgação também inclui registros sobre as operações da CIA durante a perseguição ao suspeito e a atuação de agentes norte-americanos no exterior.
A iniciativa segue uma ordem executiva assinada pelo ex-presidente Donald Trump em janeiro, que determinou a desclassificação de documentos sobre os assassinatos de Martin Luther King Jr., do ex-presidente John F. Kennedy e do senador Robert F. Kennedy.
A família King foi notificada com antecedência sobre a liberação e teve acesso antecipado ao conteúdo. Em comunicado, os filhos do líder dos direitos civis, Martin Luther King III e Bernice King, pediram que os documentos sejam analisados com responsabilidade, empatia e respeito. “Essa dor é pessoal. Pedimos sensibilidade ao lidar com o legado e o luto da nossa família”, declararam.
A sobrinha de Martin Luther King, Alveda King, elogiou o gesto: “A verdade é essencial. Sou grata ao governo por permitir que o povo americano tenha acesso a esses registros.”
Embora ainda não esteja claro se o material traz revelações inéditas, acadêmicos, historiadores e jornalistas já começaram a analisar os documentos, que prometem lançar nova luz sobre um dos episódios mais impactantes da história dos Estados Unidos.
Com informações NY Post
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