Brasil tenta acordo para poupar Embraer de tarifa de 50% imposta pelos EUA, mas decisão depende de Trump

Enquanto se aproxima o prazo para início da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros imposta pelo governo dos Estados Unidos, o setor aeronáutico nacional permanece em alerta. A Embraer, uma das maiores exportadoras do Brasil e principal afetada pela medida, acompanha de perto as negociações diplomáticas entre os dois países.

De acordo com fontes ouvidas pelo jornal Valor Econômico, as conversas entre representantes do Brasil e dos EUA têm sido positivas, mas a decisão final segue sendo eminentemente política e dependerá exclusivamente do presidente Donald Trump. A medida tarifária faz parte da chamada “Liberation Day”, anunciada por Trump para pressionar países considerados “hostis” ou “não cooperativos” com interesses norte-americanos.

Apesar do otimismo cauteloso nas tratativas, ainda não há garantias de que a Embraer será retirada da lista de produtos tarifados. A empresa tem papel estratégico na economia dos EUA, empregando milhares de pessoas em sua unidade na Flórida e comprando insumos norte-americanos. Mesmo assim, o risco de sanção se mantém.

A Embraer já teria alertado o governo brasileiro sobre o impacto da medida: o aumento do custo pode inviabilizar vendas para clientes como a SkyWest, que já sinalizou preocupação com os preços e prazos de entrega. Estimativas internas apontam que a tarifa pode representar um custo adicional de até R$ 50 milhões por aeronave exportada, afetando o planejamento financeiro da companhia para o segundo semestre.

A diplomacia brasileira tenta repetir o modelo adotado por outros países, como Reino Unido e Japão, que conseguiram reduzir ou eliminar tarifas após negociações diretas com a Casa Branca. No entanto, o governo Trump tem demonstrado pouca disposição em rever a taxação contra o Brasil, especialmente após tensões recentes envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, citado por Trump como um dos motivos para impor barreiras comerciais ao país.

Interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que o governo norte-americano vê com bons olhos o papel da Embraer na cadeia produtiva local, mas que uma decisão favorável dependeria de uma sinalização mais ampla de alinhamento diplomático entre os dois países — algo que, no atual cenário político, ainda parece distante.

O presidente Lula tem evitado endurecer o tom publicamente, mas nos bastidores o Planalto avalia alternativas para mitigar os efeitos da taxação, inclusive reforçando incentivos à produção nacional e acelerando acordos com outros mercados estratégicos. Uma resposta formal da Casa Branca deve ser conhecida nos próximos dias, já que as tarifas entram em vigor em 1º de agosto.