EUA confirmam entrada em vigor de novas tarifas do “Liberation Day” em 1º de agosto

O governo dos Estados Unidos confirmou que as novas tarifas comerciais anunciadas pelo presidente Donald Trump — conhecidas como “Liberation Day Tariffs” — entrarão em vigor no próximo 1º de agosto, sem novos adiamentos. O anúncio foi feito neste domingo (27) pelo secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, durante entrevista à emissora Fox News.

“Sem extensões, sem mais períodos de carência. No dia 1º de agosto, as tarifas entram em vigor. A alfândega vai começar a cobrar e seguiremos em frente”, afirmou Lutnick.

As tarifas fazem parte de um plano anunciado por Trump em abril, que estabelece uma taxa básica de 10% sobre todas as importações, além de tarifas específicas para produtos e países que não firmaram acordos bilaterais com os EUA. A implementação foi adiada duas vezes, mas agora, segundo o governo americano, o cronograma será cumprido integralmente.

Acordos bilaterais e pressão internacional

Desde o anúncio inicial das medidas, os EUA negociaram acordos comerciais individualizados com países como Reino Unido, Japão, Vietnã, Indonésia e Filipinas. Neste fim de semana, Trump também anunciou um acordo comercial preliminar com a União Europeia, evitando que o bloco europeu seja alvo das tarifas.

A estratégia tem sido descrita por analistas como uma forma de pressionar países a aceitarem condições comerciais mais favoráveis aos EUA. Além da União Europeia, Trump também mantém trégua tarifária com a China, que tem até 12 de agosto para fechar um novo acordo com os americanos.

Tarifa como ferramenta de geopolítica

Além do impacto comercial, as tarifas estão sendo usadas como instrumento de política externa. No sábado (26), Trump condicionou a continuidade de negociações comerciais com Tailândia e Camboja ao fim de disputas territoriais entre os dois países. O presidente também ameaçou impor tarifas de 100% sobre o petróleo russo, caso a Rússia não avance em um acordo de paz com a Ucrânia até 15 de agosto.

Impactos econômicos

De acordo com o secretário Howard Lutnick, a expectativa do governo é que as tarifas gerem até US$ 1 trilhão em receita para os EUA, o que, segundo ele, ajudaria a financiar políticas como a isenção de impostos sobre gorjetas, horas extras e benefícios previdenciários.

“Poucos produtos vão, de fato, subir de preço. A grande mudança será na arrecadação do governo”, afirmou Lutnick.

Com a aproximação da data, países que ainda não firmaram acordos com os Estados Unidos enfrentam incertezas comerciais e possíveis perdas de competitividade no mercado americano — entre eles, o Brasil, México, Canadá, Coreia do Sul e Índia.