EUA miram minerais estratégicos do Brasil enquanto governo Lula reage ao tarifaço de Trump

Governo dos EUA mostra interesse em terras raras no Brasil. Lula defende soberania e Haddad prepara plano contra tarifaço imposto por Trump.

Os Estados Unidos intensificaram o interesse nas reservas brasileiras de terras raras e minerais críticos, essenciais para a transição energética global. O tema veio à tona durante reunião com empresários do setor de mineração, em que o encarregado de negócios da embaixada americana no Brasil, Gabriel Escobar, afirmou que os EUA acompanham de perto a formulação da nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, liderada pelo Ministério de Minas e Energia.

Embora Escobar não tenha condicionado o interesse diretamente à retirada do tarifaço dos EUA, empresários interpretaram que os minerais estratégicos brasileiros podem influenciar as negociações comerciais futuras.

A possível interferência estrangeira gerou resposta firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante evento no Vale do Jequitinhonha, novo polo de produção de lítio no Brasil, Lula declarou:

“Temos todos os minerais ricos que vocês querem proteger. Este país é do povo brasileiro. Ninguém põe a mão neles.”

Nos bastidores, o vice-presidente Geraldo Alckmin manteve conversas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e sinalizou uma possível retomada do diálogo comercial com os norte-americanos. Segundo Alckmin, foi a primeira vez que a relação caminhou para um cenário de “ganha-ganha”. Um acordo de bitributação entre Brasil e EUA também foi debatido, mas o vice-presidente não confirmou se os minerais estratégicos brasileiros fizeram parte da pauta.

Enquanto isso, o Brasil se prepara para os impactos do tarifaço imposto ainda na gestão Trump. Nesta quinta-feira (25), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que o governo já possui um plano de contingência pronto para enfrentar os efeitos das novas tarifas. A decisão sobre o plano, no entanto, será tomada pelo presidente Lula.

Paralelamente, o debate internacional elevou a aprovação do governo federal. Segundo pesquisa do Ipespe divulgada nesta semana, a aprovação de Lula subiu de 40% para 43% entre maio e julho, enquanto a reprovação caiu de 54% para 51%. Já a ação dos EUA é reprovada por 61% dos brasileiros, com maior apoio (81%) entre eleitores que se identificam com a direita.